NOSSA HISTÓRIA
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Em 2006 o ator Juliano Hollivier, em trabalho como ator e dançarino no grupo italiano ÉDEN na cidade SHARM EL SHEIK - EGITO, participou de sua primeira performance envolvendo a imobilidade do corpo. Por algumas horas permanecia imóvel diante do público que visitava o Resort. De volta ao Brasil em 2008, foi apresentado ao ofício do modelo vivo, por sua amiga e artista Marta Keppler, convidando-o a posar na oficina de modelo vivo no Centro Cultural São Paulo. Foi quando percebeu o grande potencial artístico influenciador desta atividade, assumindo-a como sua profissão.

Juliano trabalha como ator, produtor e escritor de performances sensoriais com o GRUPO SENSUS desde 2009, praticando sua característica poético musical nos trabalhos do grupo. Como não podia deixar de ser, o performer une à exposição artística do corpo nu seu repertório sensorial, cênico, musical e poético, transformando as clássicas sessões de desenho de observação em verdadeiras "Jam Sessions", onde boa música, luz, contextualizações cênicas e poesia contribuem com a exposição do corpo e desenho de observação. Percebeu ao longo dos anos que a observação do nu artístico, quando feita com consciência corporal e dedicação, promove o respeito e a aceitação das características singulares do ser humano.

Em 2013, após 5 anos de parceria artística com a atriz e modelo vivo Cristina Ferrantini decidiram juntos criar um espaço onde pudessem ensinar pessoas a serem modelos vivos. Iniciaram em 2014 o curso de especialização na Técnica Klauss Vianna, na PUC/SP. O processo criativo da dupla foi interrompido quando Cristina foi diagnosticada com Leucemia Aguda, falecendo em março de 2016. Juliano continuou os estudos na TKV, concluindo a formação em 2017, cujo material estudado pôde fundamentar a continuação de um projeto inovador e não visto nas artes do corpo: a formação de modelos vivos.

 

Após o luto, o artista do corpo reuniu forças para finalmente abrir a CASA CORPO2 - Escola de Modelo Vivo, Arte & Referência, em homenagem à sua falecida amiga e parceira de trabalhos tão inovadores. Inicialmente um espaço de troca de conhecimentos sobre  o corpo do modelo vivo, da maneira que este se apresenta e se prepara para a exposição da nudez. Um lugar onde possa fomentar a observação do modelo vivo, prática milenar e tão essencial às artes visuais e do corpo, além de trabalhar a formação de novos profissionais  e a ampliação da consciência do corpo em artistas interessados pela profissão ou em benefício próprio, ambos como sujeitos.

A escola oferecerá cursos relacionados ao saberes do corpo, tanto para pessoas que queiram ser modelos vivos, profissionalmente ou não, como para artistas que, de alguma forma, necessitam conhecer sobre o trabalho (como os que desenham ou fotografam modelos vivos), sobre o próprio corpo e sobre a nudez. Nas aulas práticas dos cursos e workshops, artistas poderão participar como desenhistas e/ou observadores, a fim de registrar o que assistem.

CONCEPÇÃO

por Juliano Hollivier

Na intenção de preparar pessoas para exercer esta profissão e difundir um trabalho de qualidade e profissionalismo, crio a primeira escola de formação de modelos vivos do Brasil. Ela é inicialmente proposta como uma extensão cultural direcionada a todos aqueles que, com algum envolvimento artístico, se interessam pela consciência do corpo, pelas artes do corpo e pela criação artística que ele é capaz de provocar no observador.

 

Mais do que formar novos modelos vivos profissionais com qualidade referencial, a CASA CORPO2 visa elevar o grau intelectual artístico dos que se propuserem a expor seus corpos nus em sessões de desenho, pintura, fotografia, escultura, anatomia e tantas outras possibilidades de observação da categoria.

 

Pessoas de todas as idades, etnias, "perfis" e cultura, atores, bailarinos, circenses, artistas plásticos, artistas do corpo, fotógrafos, diretores de arte e de fotografia, educadores físicos, fisioterapeutas, educadores somáticos, psicólogos e tantos outros profissionais poderão se valer das atividades e cursos oferecidos na CASA CORPO2. Desenhistas, pintores, escultores e fotógrafos interessados apenas na observação de modelos vivos podem também frequentar as proposições da escola.

 

A formação de modelos vivos é uma ação concreta de valorização e reconhecimento deste trabalho, realizado há tantos anos por anônimos que dedicaram e dedicam sua vida ao fazer artístico. Compõe uma série de ações a serem tomadas pela escola, que visa o aprimoramento do trabalho do modelo vivo, do mercado de atuação, do respeito e reconhecimento social, financeiro e moral de seu papel na formação de artistas e, principalmente, da abrangência e importância de sua atuação na educação e fazer artísticos. É também parte de uma pesquisa continuada da participação da Técnica Klauss Vianna no trabalho do modelo vivo e do curso de pós-graduação realizado de 2014 a 2017 na PUC-SP. Estas ações objetivam uma fundamentação para uma profissão ainda não reconhecida formalmente dentro das artes cênicas e visa, além de tudo, difundir um novo entendimento de corpo a ser observado.

 

A escola propõe uma reflexão e atualização do que se faz hoje por modelos vivos, considerando a multidisciplinaridade das linguagens artísticas atuais e da tecnologia que tanto age sobre os fazeres artísticos da atualidade, interferindo na capacidade de contemplação do jovem estudante.

 

Trata-se também da apropriação de uma vertente artística não ensinada e vista no Brasil. Pretende-se, a partir da efetivação desta escola, uma referencia nas artes do corpo e também das consequentes geradas a partir dele, tanto plásticas como conceituais.

PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS

 por Juliano Hollivier, 2017.

1. Sempre acreditei que podemos ser reconhecidos artística, financeira, social e moralmente como profissionais da exposição do corpo, como artistas tão necessários ao fazer artístico e como participantes autores ativos na criação artística. Isso se sempre nos prepararmos com toda a nossa capacidade de trabalho, que inclui o próprio corpo juntamente de nossa história, nossos ideais artísticos, todo o nosso repertório cognitivo e de habilidades. Nosso corpo+mente+alma podem co-agir com alunos, artistas e futuros artistas.

 

2. Acredito também que para que um trabalho sustentável aconteça é preciso mais do que o conhecimento do próprio corpo e de nossos limites físicos e emocionais na exposição da nudez. Aprendi nesses quase 12 anos que o "algo a mais", aquilo que "faz a diferença", ou "uma coisa que não sabemos explicar, mas que nos faz querer muito observar" é que nos estimula a despir a alma para uma ou 400 pessoas a nos desenhar.

 

3. Temos perdido espaço de trabalho no mercado, pelo menos nós que fazemos desta a nossa profissão, pelo aumento cada vez maior de aventureiros e desconhecedores do próprio corpo, que se bastam a tirar a roupa e a ficar parados (o que já é tão difícil, porém pré-requisito) nas instituições de ensino e práticas artísticas.  Isto vem acontecendo nos demais locais usuais da nossa categoria. Por um preço simbólico ou muito menor do que se deveria praticar em respeito ao ofício, ou ainda por curiosidade, entendimento equivocado, fetichismo, composição de orçamento ("para ganhar um troco"), ócio laboral, e tantos outros motivos, pessoas que de vez em quando posam apenas por dinheiro, se aventurando nas sessões da cidade de SP, acabam por diminuir ou minguar a possibilidade do reconhecimento dito acima (1). Perdemos trabalhos por motivos também financeiros, enxugamento de orçamentos, alterações de diretrizes no ensino e pouco entendimento por parte dos novos coordenadores e reitores das faculdades sobre a importância de nossa participação no ensino da Arte. Nos últimos 05 anos a carga horária de aulas com modelos vivos nas grandes universidades caiu 75%, senão 100%.

 

4. Nossos cachês se mantiveram anos congelados, sem quaisquer aumentos significativos. E nos últimos 2 anos passaram a diminuir ao invés de acompanhar qualquer índice financeiro. Assim, passamos a trabalhar menos (ou mais, para nós quando compensamos pela quantidade) e a ganhar menos ainda.

 

Diante do amor pelo que faço, vim me questionando nos últimos 5 anos onde iríamos parar. Longe de respostas taxativas, entendi que algo poderá mudar se mudarmos algo dentro de nós mesmos: a maneira como entendemos o corpo que expomos. Ela pode englobar não só nosso aparato físico e intelectual como também o espaço e a todos os outros corpos+mentes que o habitam. E, principalmente, considerar a efemeridade e irrepetibilidade que sustentam nosso corpo.

 

Sendo assim, em 2014 decidi juntamente com a atriz e modelo vivo Cristina Ferrantini, estudar o corpo de forma acadêmica, escrever sobre nosso trabalho e levantar possibilidades de um novo caminho para o futuro desta profissão. O curso em Tecnica Klauss Vianna na PUC-SP foi uma das medidas adotadas nesta busca. Outros estudos foram feitos e novos vem sendo e serão feitos, pois o corpo nunca pára, ao contrário do que muitos pensam ao nos verem pausando. Logo no início dessa empreitada eu e Cris almejávamos montar uma escola de formação de modelos vivos, onde pudéssemos ensinar tudo o que aprendemos àqueles que objetivassem levar a profissão a sério. Com o falecimento de Cris este projeto esteve guardado em alguma parte deste corpomídia "que habito", dadas as dores da alma pela perda de uma amiga e interrupção de um sonho tão especial, inovador e brilhante (ao nosso ver, modéstia a parte).

 

Com o agravamento das situações (3) e (4), porém com o não falecimento dos credos (1) e (2) e somado ao amor já citado, decidi que esta é a hora deste projeto/sonho acontecer. Como se Cristina soprasse ao meu ouvido que agora é a hora de pôr em prática todo nosso estudo e empenho para que os rumos desta profissão trilhem a profissionalização, o reconhecimento social, moral e financeiro dignos, o do não anonimato e não desrespeito. Merecemos, pelo tanto que fazemos, termos nosso espaço na arte reconhecido, valorizado e dignificado.

 

Para tanto, além de muitas outras coisas, é necessário formar pessoas que pensem o corpo e a profissão como pensávamos eu e Cris, como ainda penso eu e acredito que muitos o pensem. É preciso mostrar/ensinar que não basta a imobilidade ilusória e a peladice para viver como modelos vivos. É preciso mostrar/ensinar o quanto é difícil esta atividade, mas o quanto podemos fazê-la sem que nos machuquemos ou debilitemos o corpo. E também é possível ensinar o quanto de nossa singularidade, somada ao coletivo que as sessões de observação da figura humana representa, pode contribuir com o aprendizado artístico e com novos jeitos de se fazer arte.

 

A capacidade de contemplação do corpo vem mudando, o tempo de atenção e observação ao outro muito mais. Se quisermos continuar a trabalhar naquilo que amamos, será preciso acompanhar estas mudanças. Será preciso assumir certas novidades e incorporá-las ao nosso conceito. A rapidez e a multidisciplinaridade daqueles que nos desenham (pintam, fotografam, esculpem, escrevem ou apenas nos observam) precisará ser agregada em nosso jeito de trabalhar. A nossa multifacetez também poderá ser parte deste modelo, a fim de conquistar novos adeptos tanto na arte de posar quanto na arte de observar.

 

Montar um curso de formação de modelos vivos é pensar em tudo isso e não somente nisso. A CASA CORPO2 – Escola de Modelo Vivo, Arte & Referência, como pensávamos eu e Cris, virá para tratar todos estes pontos e tantos outros mais que venham aparecer, relacionados à formação e ao mercado de trabalho do profissional. Abrigará ideias de todos os que comungarem de princípios que validem a profissão como tal, rumo ao reconhecimento social. Longe de "criar novos corpos posantes", que pensem como pensamos o corpo e que possam "roubar" o pouco de trabalho que possuímos, esta formação visa disseminar o respeito à categoria.

 

Se desejamos o respeito e reconhecimento, precisamos nos respeitar acima de tudo e nos qualificarmos para tal. Qualificar é estudar todos os assuntos que envolvem o universo de nosso trabalho e nos disponibilizarmos sempre ao novo, pois é isto que o modelo vivo provoca: sempre o novo, a cada segundo observado, uma nova respiração, um novo estado, uma nova posição de mundo.

 

E é isto o que a CASA pretende ensinar. A princípio um conteúdo puro, em infraestrutura singela, quase como as práticas em ateliês que costumamos frequentar trabalhando. Grupos pequenos serão montados. Creio que, com toda certeza, poderemos todos ganhar com estas ações e, num espaço de tempo não tão longo:

 

☆ mais pessoas profissionais se apresentando ao mercado = novos e mais trabalhos serão fomentados;

 

☆ mais modelos vivos que se valorizam no mercado (devido ao estudo e pela formação) = os cachês baixos tenderão a subir;

 

☆ mais modelos vivos qualificados e diferenciados (singularidade artística trabalhada na formação) = ocuparão o espaço dos “aventureiros pelados”, elevarão o conceito dos administradores contratantes desta função e balizará pela qualidade as aulas que participemos. Também introduzirá e espalhará este novo conceito de corpo (em oposição ao corpo recipiente de onde apenas se extraem informações) e de exposição dele no universo do modelo vivo, provocando a possível não aceitação daqueles que apenas tiram a roupa para ganhar um troco (o que tanto nos prejudica).

 

☆ mais modelos vivos estudados = algum respeito a mais e maiores chances de reconhecimento, mais gente "fazendo a diferença" nos tablados e praticáveis, mais gente amando o que fazemos.

 

☆ Representados por uma escola, com força conceitual e processo significativo de formação, poderemos agir também nas provocações de mudanças nas instituições que contratam modelos vivos, galgando o devido respeito que buscamos, além também dos próprios artistas que utilizam nosso trabalho para o aprendizado.

BIO

Juliano desenvolve desde 2007 um trabalho performático diferenciado como Modelo Vivo, onde agrega ao ofício a particularidade de sua expressão cênica, poética e musical. Estuda e pesquisa o corpo e suas expressões artísticas dentro do processo criativo, além da anatomia humana e participação do modelo vivo na formação de artistas. Propõe o olhar sobre o modelo vivo como sujeito participativo da mediação artística, e não mais apenas como um corpo recipiente, do qual o artista plástico extrai as informações para seu desenho, quadro, escultura ou foto. Qualidade da atenção e observação, presença e consciência são princípios que baseiam seu trabalho corporal e desembocam na autonomia e criatividade coletiva. Defende que o trabalho criativo é fruto da coletividade entre o artista modelo, artistas observadores e o ambiente em que trabalham. Pós-graduado em Técnica Klauss Vianna pela PUC-SP, fundamenta seu trabalho como modelo vivo na técnica de educação somática brasileira. É bacharel em Música, estudou Interpretação, Preparação do Ator, Teatro Experimental e Dramaturgia. Trabalhou com Pocket Broadway na Itália, Egito e Inglaterra e dedica-se às artes do corpo desde 2002 através do teatro e performances. Trabalha com teatro sensível em performances sensoriais que despertam o repertório imagético do público, estimulando o cuidado e o respeito ao outro. Participa do GRUPO SENSUS, sob a direção de Thereza Piffer, atuando, escrevendo e produzindo performances sensoriais desde 2009. Mantém publicações a respeito da exposição artística do corpo no blog www.modelosvivos.blogspot.com, textos poéticos em www.julianohollivier.blogspot.com, vídeos no Youtube  e nas redes sociais.

 

Se apresenta em teatros e espaços não convencionais em todo o Brasil, Bienais do Livro, Festivais Internacionais de Literatura e Poesia e atua como modelo vivo em universidades de Moda, Artes Plásticas, Arquitetura e Design, instituições de ensino e cultura e ateliês particulares, a citar Centro Cultural São Paulo (de 2008 a 2017), FAAP, Instituto Europeu de Design, Centro Universitário SENAC, ECA – USP, FAU – USP, UNESP – Bauru, Faculdade Belas Artes, Universidade Anhembi-Morumbi, Escola Panamericana de Artes, Universidade Mackenzie, FASM – Faculdade Santa Marcelina, Escola da Cidade – Graduação e Pós-Graduação em Arquitetura, UNI-Santos – Universidade Católica de Santos, Faculdade MELIES, FPA – Faculdade Paulista de Artes, ETEC – Tiquatira, Associação Paulista de Belas Artes, AXIS School of Visual Effects, ICS – Innovation Creative Space, Quanta Academia de Artes, Abra – Escola de Arte e Design, MAM – Museu de Arte Moderna, Mube – Museu Brasileiro de Escultura, SESC (unidades Pompéia, CineSesc, Belenzinho, Consolação, Ipiranga, Vila Mariana, Santo Amaro, Santo André, São José do Rio Preto, Bauru), Casa de Observação do Corpo, Casa do Saber SP, St. Paul´s School, Ateliê Pacca Studios, Ateliê de Escultura Newton Santana, Ateliê Israel Kirslansky, Ateliê Paulo von Poser, Ateliê Ferez Khoury.

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